Marketing médico
Perfil do médico no Instagram: o que o CFM exige e como encaixar no design

Quase todo médico já abriu o perfil de um colega e encontrou uma bio cheia de siglas. Ou, pior, sem nenhuma informação. E, na hora de pensar no próprio perfil, vem a dúvida: o que o CFM exige que apareça? CRM na bio? RQE? E nos posts?
Aqui está um resumo prático do que a resolução diz sobre o perfil, e de como fazer essas informações aparecerem com clareza e sem pesar no visual.
O que o CFM exige que apareça no perfil do médico?
- Nome, CRM e a palavra MÉDICO. O número do CRM onde você exerce, acompanhado da palavra MÉDICO (art. 4º, I).
- Especialidade e RQE. A especialidade ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do número do RQE, quando houver (art. 4º, II).
- Onde. Em redes sociais, blogs e sites, essas informações devem estar na página principal do perfil (art. 6º).
- Stories e conteúdos temporários. Seguem as mesmas regras (art. 6º, §1º).
- Perfil misto. Se você usa o mesmo perfil para divulgar o trabalho e mostrar a vida pessoal, a regra vale para o perfil inteiro (art. 6º, §3º).
- Clínicas e estabelecimentos. Devem constar o nome do estabelecimento com o número de cadastro ou registro no CRM e o nome do diretor técnico médico com o CRM (art. 5º).
E nos posts? O Manual de Publicidade Médica do CFM (Codame) explica: não é preciso colocar CRM e RQE em cada peça, porque esses dados já estão no perfil. Mas, se a peça for compartilhada em outros perfis ou em aplicativos de mensagem, como WhatsApp e Telegram, os dados de identificação precisam ir junto na publicação. Por isso, muitos profissionais já deixam um rodapé discreto nos modelos de posts, e é aí que o design ajuda.
Como escrever a especialidade e a pós-graduação?
O art. 13 define a forma de divulgar a qualificação técnica:
- Especialista: a especialidade registrada no CRM com o número do RQE. É permitido divulgar até duas especialidades e as áreas de atuação relacionadas.
- Pós-graduação lato sensu cadastrada no CRM: MÉDICO(A) com pós-graduação em (área), seguido de NÃO ESPECIALISTA, em letras maiúsculas.
- Quem não é especialista não deve divulgar que trata órgãos, sistemas ou doenças específicas, porque isso se confunde com especialidade (art. 11, I).
O que o médico pode mostrar e informar?
O art. 9º lista as permissões. As que mais interessam a quem cuida do perfil:
- Fotos e vídeos do ambiente de trabalho, da sua própria imagem e da equipe.
- Como marcar consulta, horários de atendimento e como funciona o consultório.
- Valores de consultas, meios e formas de pagamento.
- Descontos em campanhas promocionais, sem venda casada ou premiações que desvirtuem a medicina.
O que evitar no perfil e nos conteúdos?
- Garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento (art. 11, XII).
- Sensacionalismo e autopromoção (art. 11, XVI). A resolução inclui nessa definição divulgar um procedimento para enaltecer e priorizar a própria atuação ou o local onde atua (art. 11, §2º).
- Títulos como "melhor médico" ou "médico do ano" (art. 11, XIII).
- Repostar elogios de pacientes: o que você compartilha passa a valer como publicação sua (art. 8º, §3º).
Como fica uma bio organizada? Um modelo
Um exemplo de ordem, com dados fictícios. Use sempre os seus dados reais:
Dr(a). Nome Sobrenome
MÉDICO(A) | CRM-UF 00000
Especialidade | RQE 0000
Cidade | Atendimento com hora marcada
Link para agendamento
E como encaixar isso no design sem que as informações pareçam um formulário:
- Hierarquia: nome em destaque, depois profissão e CRM, depois especialidade e RQE, depois local e horário.
- Legibilidade: os dados precisam ter contraste e tamanho para serem lidos no celular, inclusive nas artes e nos destaques.
- Mesma ordem em todo lugar: bio, site, assinatura de e-mail e capa do "Sobre mim".
- Espaço fixo nos modelos: reserve um lugar para a identificação nos templates de posts, para você não precisar lembrar a cada arte.
- Foto de perfil nítida: é a primeira coisa que o paciente vê e a que mais aparece no Instagram.
Perguntas frequentes
Preciso colocar o CRM em todo post? Não, desde que estejam na página principal do perfil (art. 6º). Segundo o Manual da Codame, quando a peça for compartilhada em outros perfis ou em WhatsApp e Telegram, os dados de identificação precisam constar na publicação.
Posso informar o valor da consulta? Sim. O art. 9º, VI, permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, desde que não caracterizem pacotes ou consórcios (Manual da Codame). Valores de procedimentos não devem ser divulgados em anúncios.
Posso postar uma selfie? Sim, desde que não tenha características de sensacionalismo ou concorrência desleal (art. 8º, III).
Meu perfil mistura vida pessoal e trabalho. E agora? A regra vale para o perfil inteiro (art. 6º, §3º). Muitos profissionais preferem manter um perfil profissional separado.
A quem posso perguntar em caso de dúvida? À Codame do seu CRM, a comissão que responde consultas sobre publicidade médica (art. 13, V).
Importante. Este texto resume a Resolução CFM nº 2.336/2023 com finalidade informativa. Ele não substitui a leitura do texto oficial, o Manual da Codame nem a orientação de um profissional do direito. Confira o documento em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2023/2336_2023.pdf
Um próximo passo
Se ao ler isso você percebeu que o seu perfil precisa de uma arrumação, saiba que ela não é só de texto. Os dados de identificação precisam nascer no desenho da marca: um lugar certo para eles na bio, nos destaques e nos modelos de posts, para aparecerem com clareza sem pesar no visual.
É o que cuido na identidade visual para médicos da Iza Criativa: a marca nasce pensada com espaço para o CRM, o RQE e tudo o que a sua profissão pede, e com um visual que passa o cuidado que você tem com o paciente.
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